A Barca

Vivência extra-cerebral na linha do chacra do coração e da mente.
Por Antônio Natalino

Minha consciência se abriu quando estávamos em um salão de conferências em alguma cidade do astral superior, não registrei a cidade a não ser por uma visão rápida de quando estávamos na sacada do prédio de convenções, tudo era muito limpo, podia se ver até certo brilho em tudo. O céu de um azul cristalino, mas era frio, não porque tenha sentido o frio, mas pela visão do vestuário dos companheiros de congresso que vestiam casacos e mantas, como temos hoje, frio de inverno, no salão existia uma temperatura muito agradável.
No salão de convenções, de acordo com o painel à direita e acima do palco o nome de cada participante que totalizavam trezentos “seres” mais os convidados especiais, que ficavam sentados à direita no palco junto à parede lateral, porém, mais para dentro, deixando todo o palco livre para as apresentações.
Pude observar que entre os trezentos participantes havia níveis de encarnados desdobrados pelo sono e espíritos libertos da matéria, mas todos que estavam ali eram apometras, isto estava gravado em minha mente. Talvez eu estivesse participado da organização do evento e tenha ficado gravado em meu cérebro astral, porque na atual consciência, eu não me lembrava de nada. Eu estava desdobrado em corpo astral/mental.
Todos os “seres” presentes representavam grupos e casas apometricas aqui da região do Rio Grande do Sul e foram divididos em 30 grupos de 10 participantes cada.
Após a pré-abertura dos trabalhos, nos foi entregue um livro. Um livro para cada grupo cujo capítulo já estava marcado e que deveria ser lido e discutido para depois ser narrado no palco. Quando ouvíssemos o som interno da campainha, deveríamos voltar ao anfiteatro.
Cada grupo foi-se com seu livro.
Muitos grupos foram para o jardim imenso, com muitos bancos e árvores frondosas e arbustos baixos trabalhados a moda antiga, da forma como vemos em filmes dos palácios europeus de séculos passados. Outros se foram para beira mar onde existiam muitas cadeiras onde se podia sentar e comtemplar o mar, visto que, o salão de convenções ficava à beira mar num prédio imponente e majestoso todo em mármore negro com fachadas em vidro fume com longas cortinas azuis que desciam escorridas ao longo das paredes de vidro.
Retiramo-nos para uma sacada imensa de onde ao longe se avistava o mar, alguns estudantes do nosso grupo ficaram escorados na murada da sacada, outros em pé. Nos reunimos, e abri o livro, cujo capítulo era: A BARCA do livro de Estudos Avançados para estudantes do Ocultismo.
No instante em que abri o livro e li o nome do capítulo, como se saísse por cima da minha cabeça outra cabeça que mirou o mar lá na frente, foi como se eu me desprendesse do meu corpo astral e me vi na borda de um mirante à beira mar, ao meu lado esquerdo estava nosso irmão Ramatís e no meu lado direito os outros nove integrantes do grupo.
Ramatís apontou com a mão uma barca que se afastava do continente em direção ao alto mar, e instantaneamente nos vimos como que pairando por sobre ela, podíamos olhar da forma que quiséssemos, pois estávamos em corpo mental sobre o objeto identificado. Ele apontou novamente com a mão e pudemos ver, como se as paredes da nave não existisse, vimos seu interior onde estavam mais de cem pessoas confortavelmente sentadas em completo silêncio, algumas delas com fones de ouvido, outras lendo revistas e jornais, outras simplesmente aproveitando o tempo para dormir e ainda outras olhando a paisagem do mar que se findava ao encontrar o céu azul na linha do horizonte.
Logo em seguida Ele apontou para a parte de cima da nave, a sala de controle.
Havia dois seres apenas na sala de controle. Na frente rente ao enorme para-brisa e em pé, um majestoso ser, alto e esbelto, vestido a moda de capitão da marinha, com suas insígnias nos ombros com as mãos por detrás dos quadris, era o capitão do barco e no centro rente a ponte de comando e próximo ao para-brisa o capitão operador da nave com as mãos firmes no leme sem perder de vista o horizonte. Também era um homem esbelto, alto todo de branco com suas insígnias sobre os ombros mostrando a alta patente da marinha, da aura dele expandia-se um extremo brilho que me afetava os olhos.
Após essa visão, nos fizemos presentes na sala de comando, como ela ficava na parte de cima, tínhamos uma visão total num ângulo de 360 graus de todo o horizonte.
Ramatís, em pé, também olhava o horizonte e vez por outra nos observava com sua visão que nos transpassava indo até o fundo da nossa alma, era uma energia gostosa e fresca, um sentimento de euforia passava por mim, ele sabia em detalhes todos os nossos pensamentos.
Por minha vez, eu sentia que ele espera algo de nós, talvez uma dissertação do panorama vivido, pois comecei a me incomodar, afinal não era por acaso que ali estávamos e aquilo começou a me machucar, minha cabeça fervia, olhava para meus companheiros e todos absortos olhavam o horizonte sem fim. Ou olhavam a ponte de comando com seus instrumentos. O capitão permanecia imóvel como se nós não existíssemos e Ramatís ali, esperando algo que eu não sabia o que era, minha cabeça rodopiando em milhares de pensamentos, precisava destravar aquilo, fazer algo e com urgência.
Então comecei a andar na sala, como sempre faço quando tenho um problema a resolver, até que aparece a solução. Desta forma comecei a andar em círculos com a mensagem rodando em minha mente, pensava: NÃO ESTAMOS AQUI POR ACASO, O QUE NOSSO MESTRE QUER DIZER COM TUDO ISSO? ONDE ESTÁ A RESPOSTA? O QUE ISSO REPRESENTA? O QUE ISSO REPRESENTA NA LINHA DA VIDA? LINHA DA VIDA… LINHA DA VIDA… SIM! VIDA! VIDA! Quando me dei por conta, estava olhando para trás com os olhos esbugalhados vendo o friso d’água que ficava no rastro da embarcação, bolhas brancas e muitos golfinhos saltitando naquele friso. Olhava para baixo e via aquelas pessoas ali em silêncio rumo ao desconhecido, tudo isso rodando, rodando dentro de meus miolos, me pressionando o cérebro, eis que saiu de dentro de mim a resposta, numa fração de segundos me pareceu um pequena bolinha partida do meu emocional e em seguida explodiu dentro da minha cabeça, daí falei: DESCOBRIIIIII! JÁ SEI O QUE TUDO ISSO SIGNIFICA… Naquele momento todos se viraram para mim. Ramatís com seus olhos serenos pousaram nos meus, dizendo: ÓTIMO! ENTÃO O QUE SIGNIFICA ESTA REPRESENTAÇÃO?
Então eu lhe respondi:
– Esse mar representa o inconsciente da VIDA, a nossa vida, olhem! – E indiquei com a mão lá longe o porto de onde a nave havia partido.
– Lá ficou o porto de saída que representa o nosso nascimento em espírito na roda das encarnações – apontei para o friso na água e disse:
– Olhem o rastro que deixamos em nosso caminho que pode ser um rastro bonito representado pelas bolhas brancas ou ruins representado apenas pelo friso na água sem grandes significados e expressões – e apontando para baixo, no convés interno indiquei:
– Aqueles que estão ali somos nós no todo, indo em direção aos nossos objetivos, todos em silêncio, porque o destino cabe apenas a cada um de nós – e indicando o horizonte nos lados da nave disse:
– Olhem como são grandes e infinitos os caminhos de Deus! Largo e perigoso, fora desta barca nos perderíamos e nunca acharíamos o rumo novamente.
Apontando para frente na linha do horizonte, na direção em que a barca ia, disse:
– Olhem o nosso destino… Vocês vêem alguma coisa? – Responderam-me:
– Não! – então expliquei:
– Lá em algum ponto está nosso destino… Por hora não sabemos, só Ele – e apontei para o capitão do barco que ainda permanecia imóvel fitando o horizonte juntamente com seu timoneiro.
Todos estávam estáticos, boquiabertos, mudos e olhando o horizonte infinito, quando uma mocinha toda vestida de verde, do nosso grupo, disse:
– Sim! Entendi, mas o que significa em si toda essa representação?
Então já mais calmo lhe respondi com toda minha convicção:
– Escutem, temos lá atrás o porto de partida da nossa vida, em algum ponto lá na frente temos o porto de chegada, mas não sabemos o dia e nem a hora que lá chegaremos. Ali embaixo estamos nós representados por todas aquelas pessoas, cada uma com sua missão e suas determinações na vida. Então podemos representar o capitão como Deus que sabe o momento certo da nossa chegada, só ele sabe o destino, o timoneiro é Jesus, que segura firme o leme da nossa embarcação – Então e mesma mocinha falou:
– Sim, mas e a barca o que significa? – Mais uma vez os olhos de Ramatis pousaram nos meus e então lhes disse:
– Amigos, esta barca representa o EVANGELHO! Única embarcação segura que nos levará ao nosso destino com segurança – daí apontei para o timoneiro dizendo:
– Pois temos Jesus no leme da embarcação.
Naquele instante nos vimos novamente no mirante do cais olhando A BARCA que se ia lá longe… já na linha do horizonte.
Como num átimo de tempo inexplicável, nos vimos novamente na sacada daquele estabelecimento superior de ensino.
O grupo estava imóvel, sem nenhum movimento em completo êxtase, tínhamos somente a respiração e os corações agitados com todos os demais, de olhos fechados ainda, presos no magnetismo do ensinamento.
Quando fechei o livro e levantei os olhos notei que a moça vestida de verde deixava escorrer por seu rosto um duplo fio de lágrimas que caiam como cascata sobre seu peito. Entreguei o livro para um dos componentes do grupo e com minhas mãos sequei o rosto daquela mulher que sofria um sentimento de remorso que provinha do fundo da sua alma, no final uma gota caiu sobre meu dedo indicador que num gesto espontâneo levei até minha língua e sorvi o gosto salgado daquela lágrima carregada de lembranças dolorosas e instantaneamente passei a ver milhares de imagens daquela personagem, que havia, em muitas vidas, errado o porto seguro da vida. Reparti com ela o gosto amargo do remorso por ter ela se perdido nos descaminhos da vida.
Após acalmar-se lhe perguntei se ela não gostaria de compartilhar conosco o motivo das suas lágrimas. Então ela disse:
– Nas minhas andanças em corpos de carne, por diversas vezes errei o caminho do Cristo e a visão do nosso estudo serviu para mostrar o quanto ainda tenho para arrumar, para caminhar na lei da humildade, pois obnubilada pela ação do egoísmo muitas vezes errei o caminho do porto seguro da salvação.
Eu lhe disse:
– Então, se você estivesse navegado na BARCA segura do Evangelho, não terias errado o destino do porto seguro…
– Sim amigo, o remorso que se abateu sobre mim foi justamente por não ter entrado na BARCA segura do Evangelho do Cristo! Estive lado a lado com Ele todo o tempo e não lhe dei atenção por isso choro as lágrimas amargas do remorso.
Então abraçados em círculo, pois todos nós também havíamos desprezado em algum momento a BARCA do Evangelho oramos ao Pai e agradecemos a lição dada por nosso amigo Ramatís.
Havia soado a campainha em nosso interior, deveríamos voltar ao salão da convenção ainda com os olhos úmidos pelas lágrimas vertidas da emoção.
Os grupos estavam chegando e entrando pelas portas laterais do anfiteatro.
No painel lateral os nomes dos trinta grupos reluziam em um vermelho vivo.
O diretor da programação ordenava silêncio, pois seria sorteada, pelo computador a ordem das apresentações dos grupos.
Minutos depois, numa piscadela no painel e lá estava a ordem: o primeiro grupo a apresentar as impressões da leitura ideoplástica seria o ESTRELA DO ORIENTE!
Levantamo-nos e subimos um pequeno degrau que dava para palco cujo chão parecia ser de vidro alvíssimo, cuja tênue luz que refletia, nos causava um bem estar indescritível, nos postamos no centro do palco, o som acústico oriundo dali se propagava de forma espetacular por todo o recinto como em ondas, não havia microfone, e ouvia-se nossa voz em qualquer parte do ambiente, senti que se eu afinasse mais o sentido podia sentir na pele as emoções de todos e também as batidas dos corações, a respiração… Era como se estivéssemos em tudo e tudo estivesse em nós. Num relance olhando para minha esquerda, vi os convidados de honra.
Vamos pensar assim como se estivéssemos sentados na platéia:
No centro do palco estava o grupo se apresentando, no lado direito as fileiras de cadeiras brancas onde vi os seguintes integrantes.
No início da primeira fila estava Ramatís, porém sem o turbante com seus cabelos negros em forma de tranças caídos sobre o peito, ao seu lado estava Crystal com seus cabelos ruivos e sua veste esvoaçante em tom lilás com seus sapatinhos de cristal, ao seu lado estava Hermes com seus longos cabelos negros enrodilhados, caídos por cima do ombro esquerdo e sobre o peito, ao seu lado estava Pai Bezerra de Menezes tendo ao lado mais outros integrante de porte majestosos que não identifiquei de imediato.
Atrás desta fila como se num patamar um pouquinho mais alto estava meu amigo Almofarejd, que ao olhá-lo me deu uma piscadela e senti sair da pedra encravada em seu turbante, um alo azul claro que me refrescou todo, me deixando na mais completa serenidade, era como se eu fosse velho conhecido daquele palco, Almofarejd tinha ao seu lado uma mulher de porte majestoso, alta com vestes azuis e cabelos escorridos por sobre os ombros e mais atrás estava Mustafad e ao seu lado outras duas mulheres de estatura mediana, porém de uma irradiação deslumbrante. Mais atrás outros integrantes, onde creio ter visto Chaim com mais dois E.T.’s um pouco mais baixos do que ele. O diretor do programa, vestido a rigor se achegou e nos perguntou:
– Por favor, amigos, dêem vossas impressões e narrem em detalhes o que leram e presenciaram.
Nossa amiguinha de roupa esverdeada, então passou a narrar todo o ocorrido.
– Senhores e irmãos em Cristo. A história que caiu pra nós chama-se A BARCA que transcorreu na seguinte ordem de nossas emoções.
Com todas as atenções voltadas para nós, me acordei, trouxe para minha consciência toda aquela gama de sentimentos indescritíveis, e com os olhos cheios de lágrimas olhei o relógio: era exatamente 5h 40mim da manhazinha do dia 29 de junho de 2007.
Hoje já passados vários dias do acontecimento, muita coisa se confunde em minha mente, é como se tudo fosse real e depois irreal.
É muito complicado viver várias dimensões ao mesmo tempo sem prejudicar a mente, porque sempre haverá uma sobrecarga sobre os neurônios físicos. Muitas outras vivências naqueles locais deixei passar, sem dar atenção devido a esse perigo. Mas naquele dia, procurei descrever com o máximo de fidelidade o ocorrido e hoje já não me importa se foi real ou irreal o que vivi. As experiências destas vivências se desvanecem com o andar da vida diária na atual personalidade na linha da terceira dimensão. Mas deixo claro que nas primeiras horas após o encaixe físico, tudo fica muito confuso e a gente sente um peso descomunal, que demonstra realmente que somos “prisioneiros da matéria”. Na maioria das vezes, segue-se por um ou dois dias uma depressão horrível e um sono que, se não nos mantermos bem alertas, dormimos bastando para isso que apenas fechemos os olhos.
No universo inteiro, tudo é VIDA, e no fundo já não me faz diferença se as vivo aqui em corpo carnal ou em corpo astral/mental, o que importa é a lição obtida na incursão da projeção astral.
Ramatís usou a didática da ideoplastia, onde Ele gera uma imagem no campo astral e nos coloca dentro para melhor assimilarmos os estudos.
Fato idêntico que nos serve de lição encontra-se num dos livros da família interestelar da Ana Lúcia Marins, onde ela de passeio dentro nave Affir11, no salão ideoplástico da nave interestelar, sugestionada por seu Mestre Thários Dhan, pensa no mar e instantaneamente se forma o mar com tudo que existe e ambos caminham pela praia enterrando seus pés na areia e molhando-se com a água fresca das ondas, em seguida Ele solicita que ela pense no umbral inferior onde ambos já haviam excursionados em salvamento de grupos de espíritos, e tudo muda instantaneamente, de um mar límpido e azulíneo passam para um pântano pútrido asfixiante no que ela pede para que a imagem se desvaneça, pois já começa a tontear voltando o descomunal salão a visão original, ou seja, o nada.
Assim é o astral, um campo moldável ao nosso pensamento extremamente perigoso para os incautos que lá se aventuram sem a devida autorização daqueles que lá vivem.
Desta forma agiu Ramatís para conosco que enquanto líamos o capítulo, ele nos transportava para sua ideoplastização astral.